O sucesso dos NFTs (tokens não fungíveis) pode levar esse tipo de token a conquistar novos espaços além da blockchain. Mas para isso ocorrer é necessária uma infraestrutura adequada, que garanta um crescimento sustentável.

É provável que a “segunda onda” dos NFTs tenha mais sucesso do que a primeira, no final de 2017, quando o token se tornou conhecido graças ao ERC-721, um NFT do jogo de colecionáveis ​​CryptoKitties.

Nas primeiras semanas após seu lançamento, o jogo se tornou tão popular que congestionou a blockchain Ethereum e desacelerou todas as outras transações.

Imagens exclusivas do CryptoKitty tornaram-se tão populares que alguns dos NFTs foram revendidos por valores de cinco dígitos em dólares americanos. Apesar disso, o sucesso do jogo durou pouco e o projeto logo caiu no esquecimento. O CryptoKitty teve vários clones, como CryptoPuppies, CryptoPets ou CryptoPunks, que tiveram o mesmo destino e não conseguiram a tração necessária.

No ano passado, os NFTs começaram a ganhar destaque novamente, quando algumas marcas de luxo tentaram aplicar em seus produtos o conceito de um ativo digital exclusivo. Mas o verdadeiro renascimento do token ocorreu somente este ano.

Atualmente, o NFT tem sido utilizado principalmente na arte digital. No início de março, foi noticiada a venda de uma colagem digital de imagens, na forma de NFT, intitulada EVERYDAYS: THE FIRST 5000, do artista Beeple, que arrecadou U$ 69,3 milhões. Essa obra, além de ser o NFT mais caro já vendido, é uma das obras de arte de maior valor criada por um artista vivo.

Os valores exorbitantes cobrados pelas peças de artes digitais e memorabilia de fãs fizeram com que os NFTs fossem comparados com a “Tulip Mania”, na Holanda do século 17, e a febre das ICOs (ofertas iniciais de moedas) de alguns anos atrás.

Mas essas comparações e as afirmações de que os NFTs são uma bolha não são adequadas. A questão principal envolvendo esse tipo de token é que o NFT resolve um problema muito específico, que existe há anos na arte digital.

A proteção dos direitos autorais sempre foi um problema na indústria da arte digital. Provar a propriedade de uma obra pode ser problemático, sendo necessária uma ferramenta que garanta aos artistas os direitos da sua obra.

Criando cópias únicas ou limitadas de seu trabalho, o artista consegue escassez e valor. Os NFTs podem ser um novo formato para a venda de obras de arte, além de comprovarem a proveniência da obra. Eles também podem ser utilizados na venda de peças físicas.

Além de vender uma peça de arte digital no formato de NFT, um comprador de uma obra de arte física pode receber o token, como certificado de autenticidade.

Os preços pagos pela arte digital em NFT estão com valores altos e provavelmente irão diminuir. Esse é o caso de quase todas as novidades lançadas no mercado.

Os céticos em NFT alegam que os tokens não possuem valor intrínseco. No entanto, esse é um problema da arte contemporânea como todo, pois as fronteiras entre o que é considerado arte ou não são difusas.

A ‘segunda onda’ dos NFTs é aparentemente mais forte do que a sua estreia, no jogo CryptoKitten. No entanto, para garantir que o segmento se desenvolva de forma sustentável e atraia cada vez mais compradores, é necessário fornecer uma infraestrutura adequada para os usuários.

Atualmente, os NFTs estão na crista da onda, mas mais cedo ou mais tarde isso irá diminuir. O sucesso do segmento dependerá da facilidade e conveniência oferecida para o usuário comum na compra de NFTs.

Ao construir uma infraestrutura robusta e escalável para emitir, negociar e liquidar NFTs, as pessoas que não possuem tanta experiência no setor podem ser atraídas para o universo das criptomoedas.

Já estão sendo dados passos nessa direção. O mercado de NFTs OpenSea garantiu recentemente U$ 23 milhões em financiamento de investidores, liderados pela empresa de capital de risco do Vale do Silício, Andreessen Horowitz.

Para muitos, os NFTs podem ser a entrada no mundo das criptomoedas e DeFi, e isso pode acontecer em um futuro próximo.

Artigo escrito por Inal Kardanov

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